Quando for grande e tiver o fascínio do decadente raiado nos dentes, a volúpia louca do ridículo, chamar-te-ei de novo ao convento das iniquidades. Dançaremos em rodopios antigos, de quem não sabe a quem reza, apenas indo de corpo em corpo como espírito inquieto, a comichão latente de um desejo.
Quando tiver de mim vísceras lavadas, a secar no meu estendal, serei perpétuo, a manhã afora longe. Cuidarei de beijar plantas com a suavidade de um louco de cheiros, perfumes do estio de nós, suores plácidos e azuis que nos dão ao rosto o ar do concreto haver do sangue.
Quando inútil me souber de todo já não restará mais do que fria comiseração, um ruído inaudível, um trepidar que rói ossos devagar mas os atraiçoa, com pó de pó, de nós sempre o mesmo. Um rio que corre daquela rua em cascata e me abraça aqui em baixo, ajoelhado em apoteose de rancor. Baixo o murmúrio do tempo, em que cristãos, fôramos da sede a mais firme convicção.
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