Ao terceiro acordou tarde.
Tinha um bilhete na mesa de cabeceira. Puxou dos óculos e leu-o em voz baixa. Dizia apenas: "Quem és?" em maiúsculas ridículas. Voltou a colocá-lo onde o achara, intacto. Não iria agora perder tempo com missivas idiotas. Fazia calor e apetecia fugir. Por isso abriu a janela e atirou à vizinha um rasgado bom-dia. Sem ecos. A serra permanecia muda.
Meses mais tardes, a mesma caligrafia. Desta vez, na montra de uma loja de velharias. Entrou, sem saber bem a razão, apenas olhou o suficiente para logo sentir o estômago revolto, o azedo do pó incrustado na língua. Despediu um boa-tarde apressado. Mas em vão, o balcão permanecia vazio.
Ainda agora fechara na mão duas pétalas púrpura de rosa. Comprimira-as para lhes chegar ao sumo. Era tudo o quanto tinha: o punho cerrado e a magreza do rosto. Por mais que tentasse identificar os astros na profundidade da cúpula celeste ainda lhe vinha à memória apenas o nome daquilo que não era. De todo, permanecia calado, e apenas um leve zumbido subia da sua boca. A tarde mais perfeita, o sonho mais vazio, os olhos mais fechados na concavidade forçada de um adeus, tudo isso lhe era ausente.
O restante fazia barulho, e isso irritava-o. Talvez tal explicasse a pedra tumular usada como vestimenta, ou barreira ao toque puritano do zéfiro cantante.
"O meu olhar é textura." Lia-se à porta do bordel. Isso não encerrava filosofia alguma.
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